quinta-feira, 28 de outubro de 2010

La Dame à La Licorne - Uma viagem para a Idade MédiaDescrição: A série é chamada de “La Dame à La Licorne” – A Dama e o Unicórnio, é composta de s


Hoje vou postar a análise, feita por mim, de uma tapeçaria muito famosa da Idade Média "La Dame à La Licorne - à mon seul desir", em português "A Dama e o Unicórnio - Ao meu único desejo". Utilizei muitas bibliografias, inclusive otimos sites, para esta tentativa, mas não menciono aqui.

Esta análise, à princípio podem parecer chatas, mas gostaria de colocar uma outra impressão referente à Idade Média. Um lado que ninguém realmente vê, um lado de cores vibrantes, de tantos signos.



Descrição:

A série é chamada de “La Dame à La Licorne” – A Dama e o Unicórnio, é composta de seis tapeçarias que foram tecidas em Flandes no final do séc. XV (cerca de 1490). Cada peça de tapeçaria tem aproximadamente 3,5x3,5metros, o material utilizado consiste de lã e seda.Não se sabe quem é o artista, porém é uma das tapeçarias mais famosas do Periodo Medieval.

Vamos discorrer sobre a sexta peça “à Mon Seul Desir” – ao meu único desejo – que trata de um tema obscuro diversamente interpretado como amor.

Análise:

A imagem é figurativa composta de uma senhora no centro do quadro, à sua direita temos a imagem de sua serva, seguindo de um unicórnio. Ao lado esquerdo da dama temos um leão, atrás uma tenta com os dizeres À Mon Seul Desir – Ao meu único desejo, referente ao nome da peça. Todos esses elementos estão concentrados em cima de uma espécie de ilha, palco. A composição da obra é triangular fazendo com que os olhos do expectador percorram o quadro traçando visualmente esse símbolo geométrico.

As flâmulas do unicórnio e do leão carregam as armas do patrocinador, Jean Le Viste ( um nobre poderoso da corte do Rei Charles VII).

O estilo Mille-Fleurs – Mil Flores refere-se ao fundo feito de inúmeras pequenas flores e plantas, estilo que tornou-se muito famoso durante a Idade Média e que podemos constatar na obra.

As cores utilizadas são predominantemente as cores luminosas: vermelho, azul e dourado. o desenho não tem a noção de tridimensionalidade, colocando as figuras apenas sobre postas umas as outras, sem a idéia de espaço, distancia. Porém podemos notar um tratamento volumétrico com as mesmas expressões graciosas e posições sinuosas. A noção de perspectiva ainda é muito básica.

Podemos notar características góticas na tapeçaria “ à mon Seul desir” no lado emotivo que a obra apresenta, uma escala monumental e majestosa, uma forte dramatização dos personagens inseridos em planos de pouca profundidade e perspectiva distorcida.

Interpretação:

A Dama é nitidamente proporcionalmente maior que a serva indicando a sua importância social. Há sempre a afirmação nos detalhes da condição e característica da nobreza, como por exemplo os tons dourados, vermelhos e azuis vão ajudar à associação de importância e santidade das personagens.

Esse período foi marcado por uma sociedade feudal rigidamente hierarquizada. As cores eram privilégios dos mais abastados, quanto mais luminosa e pura mais tinha seu peso pago o equivalente em ouro. por décadas as cores luminosas foram reservadas para os ricos e as cores apagadas foram destinadas para os pobres, onde o preço de uma cor tinha influencia direta sobre seu significado.

A partir do século VI, quando o papa Gregório Magno promulgou uma lei para a pintura cristã, as cores pareceram nas vestimentas como signos de reconhecimento. Num mundo iletrado era fácil saber quem era quem através das cores das roupas. Azul para a Virgem Maria, vermelho para Jesus, púrpura para Deus e verde para o Espírito Santo.

Voltando para o tema da obra, podemos notar que o gesto da Dama é de tirar o colar do peito e guardar em um baú suas jóias. Esse gesto significaria a renúncia das outras paixões despertadas pelos outros sentidos, e como uma afirmação de seu livre – arbítrio. Ou seja, uma mulher renunciando o mundo físico dos sentidos para o mundo espiritual, como a Virgem Maria.

Julgamento:

A harmonia e beleza da tapeçaria vem do arranjo das cores e da delicadeza das linhas da imagem. Através dessa maravilhosa composição o expectador é capaz de se sentir envolvido pela narrativa. Há uma conexão muito forte com o observador, fazendo com que ele queira entrar na história narrada e fazer parte dela. Sente-se a cumplicidade de tais fatos. A imagem nos provoca emoções: parece que é possível transportar todos os nossos sentidos (olfato, paladar,audição, visão e tato) para uma época que nos parece tão familiar.

È impressionante como nos é possível fazer ler os pensamentos da Dama, sentir o pelo do unicórnio, ser reverente à magestade do leão; todas essas emoções nos é dada de forma tão natural, que talvez seja a nossa história que está sendo narrada.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

O que é Sonhar a Arte?

Este meu blog vai servir como meu diário, quero colocar aqui meus trabalhos de onde eles vieram, e qual é a relação deles com o meu mundo.
Muito dos meus trabalhos eu tiro dos meus sonhos, e faço relação com tudo que me influencia ao máximo: literatura, filmes, desenhos, pinturas e cenas que marcam o cotidiano entrando para no meu mundo da imaginação.